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Árbitra de Três Lagoas é convocada para atuar nos Jogos Pan-Americanos

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) convocou a árbitra assistente Daiane Caroline Muniz dos Santos, 30 anos, para os Jogos Pan-Americanos 2019, que ocorrem de 26 de julho a 11 de agosto. O evento esportivo será sediado em Lima, capital e maior cidade do Peru.

A convocação foi comunicada nesta quinta-feira (9) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) à Comissão de Arbitragem da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS). A Conmebol será responsável pela hospedagem, transporte e demais questões relacionadas à viagem dos árbitros ao Peru. As Confederações Nacionais ficarão encarregadas da parte de preparação física e de saúde dos profissionais.

A três-lagoense Daiane Caroline Muniz dos Santos, de 30 anos, integra desde 2016 ao quadro de arbitragem da CBF. No dia 10 de janeiro do ano passado, a árbitra auxiliar recebeu o escudo da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Ela é, atualmente, a única representante da arbitragem de Mato Grosso do Sul credenciada para atuar em partidas a nível internacional.

Sul-mato-grossense com escudo Fifa (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Está será a terceira competição estrangeira de Daiane. Ela atuou no Campeonato Sul-Americano Sub-20, realizado em janeiro do ano passado, no Equador e no Campeonato Sul-Americano Sub-17 Feminino, disputado em março de 2018, na Argentina.

Interesse pelo futebol

Profissional de educação física, ela mora em Três Lagoas há mais de sete anos, mas atua na arbitragem desde os 21 anos.

Vice-presidente da CBF entrega escudo à assistente (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Em entrevista ao Esporte Ágil, em dezembro de 2017, Daiane contou que, desde os cinco anos de idade, gostava muito de jogar futebol. “São as lembranças mais fortes que tenho e, quando não jogava, assistia. Cresci assim. Jogando, depois assistindo e entendendo mais sobre as regras, como funcionava um campeonato, pontuação. Sempre acompanhei e o esporte da minha vida sempre foi o futebol”.

Notícia que seria árbitra Fifa era a mais esperada da carreira (Foto: Reprodução/Facebook)

Para Daiane, a arbitragem seduziu-a. “Depois de algumas tentativas de ser jogadora profissional, em vão, encontrei na arbitragem uma maneira de estar no esporte. Depois de um tempo, pude ver que tinha talento para aquilo, e que aquilo poderia me deixar ainda mais próxima, como nunca estive, desse esporte”, destacou.

Confira a entrevista completa:

Quais as principais dificuldades da profissão?
Acredito que a gente vai crescendo e evoluindo conforme alguns erros, algumas experiências. E algumas dificuldades na carreira foram os testes físicos, que, apesar de ter um bom pilar físico, no início tive alguma dificuldade em realizar, principalmente os tempos masculinos. Mas hoje isso é superado.

Por ser mulher, é mais difícil?
Não acredito que, por ser mulher, seja mais difícil. Por ser mulher, precisamos ter uma mentalidade um pouco mais blindada por tudo que escutamos e vemos. Mas gosto de dizer que a mulher pode estar onde ela quiser. Minha vontade fez com que eu chegasse, passando por cima de muitos obstáculos e preconceitos que existem.

É mais fácil auxiliar um jogo masculino ou feminino? Tem diferença?
Tem muita diferença. Primeiro, é a força, explosão muscular, a velocidade do jogo. Tecnicamente também é muito diferente. Masculino tem mais passe, mais lançamentos. A bola não fica no mesmo lugar. No feminino, é mais lento, têm jogadas mais confusas. O masculino exige mais, e é desse que eu gosto.

Os homens respeitam uma assistente mulher?
Respeitam sim. Claro que o respeito vem da pessoa também, como você age, de quanta abertura você dá. Comigo nunca teve problema nenhum. Os jogadores sempre muito profissionais, principalmente em jogos profissionais, série A e série B do Brasileiro. As mulheres já quebraram alguns tabus e os homens já aceitaram nossa inserção no cenário futebolístico.

E a torcida? Você ouve muitos comentários indiscretos? Como lidar com isso?
Ouço muitos comentários indiscretos, discretos, loucos, engraçados (rissos). Já me acostumei na verdade. Torcedor é muito criativo. Sai cada coisa de lá que, quando eu conto, depois dou risada. Mas somos preparados psicologicamente pra isso. O jogo exige uma concentração e esses comentários acabam passando.

Qual seu principal momento na carreira?
Tenho muitos momentos únicos, na verdade. Lembro que passar no teste físico pela primeira vez foi um sonho realizado. Ganhar o escudo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) foi maravilhoso, ser escalada na Série A também. Mas esse momento que estou vivendo agora é especial. Acabei de receber a notícia do escudo internacional. É algo que tenho lutado, trabalhando muito. Quando soube, deu até tremedeira. Esse momento tem sido muito especial e estou me preparando bem pra ele.

Você consegue viver apenas da arbitragem?
Até gostaria, mas infelizmente não. Nós recebemos a escala de cada jogo praticamente na mesma semana quando ele acontece. Se for tudo ok, sem problemas, ótimo. Mas se não for ficamos de fora por um tempo, e sem jogo, sem taxa. Hoje, tenho uma empresa de Gestão Esportiva, onde ministro palestras, cursos e eventos na área esportiva e atuo como coach também.

O que projeta para seu futuro?
Uma experiência mundial. Quero um torneio mundial. A responsabilidade, a visibilidade, tudo aumenta. O trabalho, com certeza, triplica. Mas a palavra da arbitragem é resiliência. A gente vai nos blindando com tudo que possa vir acontecer. Agora é estudo, trabalho, treino e família. Essa, para mim, sempre será minha base.

Por Esporte Agil

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