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Audiência pública em Três Lagoas reforça importância do diagnóstico precoce do TDAH

Na noite desta terça-feira (17), por meio de uma propositura do vereador Professor Flodoaldo, aconteceu a audiência pública para debater sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), com a psicóloga Liana Garcia Nunes, que apresentou alguns critérios diagnósticos, tratamentos e tirou dúvidas sobre o assunto.

Flodoaldo iniciou a audiência explicando o que é TDAH: “um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção)”.

“Precisamos diagnosticar e nos preparar para atender alunos com TDAH nas nossas escolas”, afirmou o vereador, justificando a importância da audiência e passando a palavra para a psicóloga. Liana iniciou explicando que são dois fatores que caracterizam o transtorno: a desatenção e a hiperatividade. A pessoa pode apresentar uma característica, ou um combinado das duas. Para cada tipo, apresentou alguns critérios de diagnóstico:

DESATENÇÃO: crianças que não olham para você quando você as chama; alunos que esquecem, perdem o material o escolar; pessoas que demoram para sair de casa pois esquecem uma coisa, depois outra e outra; pessoas que param projetos no meio, começam uma brincadeira e param, começam um curso e param; erros por descuidos bobos; cansaço mental; tudo chama a atenção, como borboletas, insetos;

HIPERATIVIDADE: pessoa incapaz de ficar numa fila; criança que sempre sobe em tudo que não pode subir, ou quer fazer tudo que é proibido; pessoas que não param de falar; brincar de “faz de conta” de maneira tranquila; mãos e pés irrequietos;

Liana falou um pouco da combinação de desatenção e hiperatividade e citou prejuízos acadêmicos, ou na vida social destas pessoas: “geralmente, quem tem mais características de desatenção possui mais dificuldade na vida acadêmica e quem tem mais características da hiperatividade possui mais dificuldade na vida social”.

“Enquanto criança pode parecer normal, mas na fase adulta estas características podem virar transtornos psiquiátricos. Por isso, é importante diagnosticar o TDAH e fazer o tratamento corretamente”, defendeu a psicóloga.

“A atenção é como um filtro de café. Estamos aqui e temos muitos estímulos, como barulho do ar, roupas, alguém tossindo. O filtro barra estes estímulos e faz você perceber apenas o necessário. Uma pessoa com TDAH não possui esse filtro porque a área do cérebro responsável por essa filtragem não foi formada corretamente”, explicou. E as principais dificuldades de uma pessoa com TDAH são: “definir metas, planejar, memorizar, ter flexibilidade para imprevistos, déficit para se controlar e avaliar as consequências de seus atos”.

A psicóloga concluiu apresentando o “teste do marshmallow”, um teste realizado em 1960: “os pesquisadores deram um marshmallow para cada criança e diziam para elas não comerem, pois em alguns minutos voltariam com outro e, se eles comecem, não iriam ganhar o outro. As crianças que comeram tiveram problemas nas escolas e no seu desenvolvimento”.

Perguntas e respostas

  • Meu filho foi diagnosticado com TDAH e toma remédios. Quais são os riscos que ele corre quando ficar adulto por conta dos medicamentos? A medicação tende a ajudar, mas cada caso é um caso e, com certeza, o médico deve ter ponderado isso para medicar.
  • O uso de agrotóxicos ou alimentos modificados tem alguma relação para o TDAH, assim como o Autismo? Não existe estudo, mas sabemos que os agrotóxicos mudam nossa formação cerebral. Não sabemos se existe ou se tem alguma relação com o TDAH.
  • Tomar “Ritalina” só para se acalmar em época de provas, mesmo sem ser diagnosticado, pode prejudicar? Sim, pode. Quem precisa tomar fica preocupado com as consequências, imagina tomar sem precisar.
  • Por mais que seja nítido, qual a diferença entre TDAH e autismo? O que confundi muito é a hiperatividade e as dificuldades sociais. Mas a dificuldade do autista é como se socializar, então ele não socializa. O TDAH se socializa, mas sempre briga com o grupo ou não gosta de estar no grupo.
  • Uma dica para quem tem TDAH? O funcionamento da família. Ela tem que ter uma convivência saudável para ajudar, assim como a escola e o psicólogo devem estar em harmonia, já que eles percebem tudo a sua volta.
  • Pessoas com TDAH podem ter uma vida normal? Sim, conheço um diretor de empresas que tem e criou recursos para se controlar. Em reuniões longas, por exemplo, pede para a secretária interromper dizendo que tem uma ligação. Tem TDAH e é um diretor de empresa.
  • Vejo que tenho muitas características do TDAH e meu filho também. É genético? E como posso ajudar a mim e meu filho? Tem uma questão genética, mas também tem outros fatores. E para ajudar, você já deu o primeiro passo: reconhecer e mudar sua atuação com esse novo olhar. E buscar uma terapia para ter um repertório comportamental para lidar com estas situações.
  • Meu filho foi diagnosticado com TDAH Combinado há alguns anos e agora não quer comer algumas coisas que comia antes, é uma característica do transtorno? Não podemos afirmar. Pode ser um reflexo comportamental, de ir contra as regras da casa, mas é preciso analisar para saber.
  • Tenho alunos com autismo e TDAH. Como fazer para lidar com os outros alunos, ditos “normais”? É muito difícil mesmo. Eu iria direto com a família para afetar o núcleo de estudantes.

O vereador Flodoaldo agradeceu a presença de todos, lamentou a ausência de muitas pessoas da área de educação que foram convidadas mas não estavam presentes e encerrou a audiência com um convite para o dia 28 de setembro: “faremos uma passeata contra o suicídio, em alusão ao setembro amarelo. Estão todos convidados. Gratidão”.

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