Autores do livro O Capa-Branca irão realizar palestra na AEMS

Autores do livro O Capa-Branca irão realizar palestra na AEMS

Livro narra trajetória de funcionário que se tornou paciente do Juquery

O curso de Jornalismo da AEMS convida todos os interessados em Jornalismo Literário, para participarem de uma palestra que irá ocorrer amanhã, 03 de maio, na produtora de audiovisual da Instituição, às 19 horas. Gratuita, a palestra irá abordar o processo de produção do livro O Capa – Branca.

O Capa-Branca conta a história de Walter Farias, ex-atendente de enfermagem que trabalhou e foi internado em um dos maiores hospitais psiquiátricos do Brasil. No livro O Capa-Branca, o jornalista Daniel Navarro Sonim reuniu, a partir de manuscritos e entrevistas, as experiências de vida de Walter Farias, ex-funcionário que se transformou em paciente, na década de 1970, do Complexo Psiquiátrico do Juquery, em Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo. Números oficiais dão conta que naquela época o local chegou a abrigar quase o dobro das 9 mil pessoas que tinha condição de comportar.

Aprovado no concurso público para atendente de enfermagem, Walter é designado para cuidar de pacientes acamados ou que perambulam, alheios à realidade, pelos corredores das clínicas do Hospital Psiquiátrico. A vida do protagonista de O Capa-Branca começa a tomar outro rumo depois da repentina transferência para o Manicômio Judiciário, onde ele convive com pacientes que cometeram crimes, alguns deles violentos e com requintes de crueldade.

A rotina no manicômio abala sua sanidade e o obriga a abandonar sua capa branca, o jaleco que os funcionários vestiam para trabalhar. Dali em diante, a única alternativa é a internação. Ao se tornar mais um paciente do Juquery, passa a sentir na pele os horrores daquele lugar.

 Na visão de Walter Farias, que hoje está aposentado, as pessoas acreditam que ele tenha se tornado esquisito depois da convivência por sete anos com os doentes. “Eu aposto que muita gente nem imagina quais são os verdadeiros limites da loucura. Mas será que a mente humana possui limites?”, desafia Walter.

Trabalho em equipe

Para transformar esta narrativa a quatro mãos em realidade, os autores decidiram criar pelo site idea.me um projeto de financiamento coletivo que levantou parte dos recursos necessários. Além dos financiadores, O Capa-Branca atraiu fãs que colaboraram com o projeto sem cobrar nada. A designer Jussara Fino desenvolveu o projeto gráfico; Fabio Bonillo, que recentemente traduziu o romance Os Luminares, de Eleanor Catton, vencedora do Man Booker Prize em 2013, se encarregou da preparação do texto; e Delfin, do Studio DelRey, fez a ilustração da capa. “Só precisamos pagar a revisão final e a diretora da Editora Terceiro Nome, Mary Lou Paris, decidiu imprimir e publicar o livro”, comemora Daniel Navarro.

Sobre os autores

Daniel Navarro Sonim é jornalista e viu pela primeira vez o protagonista de O Capa-Branca em um programa de TV com o tema “Sou esquisito, e daí?”. Após Walter Farias contar que sonhava colocar sua história em um livro, entrou em contato com ele e recebeu os manuscritos com suas memórias no Juquery. Assessor de imprensa com experiência em mercado editorial, turismo, gastronomia e limpeza urbana, entre outras áreas. Traduziu com a professora de russo, Karina Skvortsova, um clássico da literatura infantojuvenil russa, Gorodok v tabakerke (A vila da caixinha de música, título provisório), de Vladimir Odoievsky, ainda no prelo e inédito no Brasil.

Walter Farias, o ex-funcionário que se tornou paciente do Juquery, vive até hoje em Franco da Rocha com sua família. É aposentado, pai de três filhas e de um filho e avô de seis netos. Compositor, já fez mais de 400 canções nos mais variados estilos, como samba, sertanejo e MPB.