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Impactos do palhiço sobre as doenças do canavial

A manutenção ou o recolhimento de palhiço nas lavouras de cana-de-açúcar e seus impactos nas doenças do canavial são temas de pesquisas conduzidas pela Embrapa Agropecuária Oeste.

Doenças na cana-de-açúcar são parte integrante de qualquer canavial. “Atualmente, estamos lidando com algumas doenças emergentes, que até então não vinham causando problemas aos canaviais, mas que com fim das colheitas realizadas por meio das queimadas, começam a aumentar de importância. Estamos falando de mancha-anelar, podridão-vermelha e pokkah-boeng”, explica o analista da Embrapa Agropecuária Oeste, Alexandre Dinnys Roese.

Diante desse cenário, o engenheiro agrônomo explica que ainda são desconhecidas a relação da presença ou não de palhiço e os possíveis impactos na produtividade dos canaviais e acrescenta “as pesquisas ainda não concluíram se a presença ou a retirada do palhiço pode ou não aumentar a presença de determinadas doenças na cana-de-açúcar e a ausência de bibliografia sobre o tema exige um olhar ainda mais atento da pesquisa sobre essa situação”.

Apesar de ainda não possuir conclusões definitivas sobre o assunto, Roese conta que os resultados preliminares já demonstraram que a manutenção do palhiço pode aumentar um tipo de doença, porém pode reduzir outras. Ele explica que “a manutenção do palhiço no solo pode agravar a presença da mancha-anelar, que causa manchas foliares na cana-de-açúcar e que reduzem a produção de açúcar na cana. Por outro lado, a ausência de palhiço pode contribuir com aumento de pokkah-boeng e fusariose, que são doenças causadas por fungo de solo.

Segundo ele, esse fungo é um habitante natural do solo e a manutenção da palhiço no solo favorece a manutenção da vida no solo (fungos e bactérias de controle biológico), assim a tendência é de que existam menos doenças causadas por fungos de solo. Quanto a podridão vermelha, Roese observou que não houve nenhuma influência em relação a manutenção ou retirada do palhiço do solo, pois essa doença está mais relacionada com ferimentos e com broca da cana.

Roese exemplifica “se o produtor ainda está em tempo de escolher uma variedade de cana que será implantada no campo, e ele sabe que não vai recolher o palhiço, que o mesmo vai continuamente permanecer no solo, o ideal seria optar por cultivares resistentes a manchas foliares. Agora se ele já sabe que sempre vai recolher o palhiço, significa que ele terá maiores dificuldades com a manutenção da microbiota do solo, assim pode ter mais problemas com fungo de solo”.

Roese salienta ainda que “seja qual for a situação em relação ao recolhimento do palhiço, o produtor precisa ficar atento se a cultivar está tendo ou não manchas nas folhas ou se está apresentando algum outro sintoma de doença, e deve sempre comunicar isso às empresas obtentoras das cultivares”. 

Seminário – O impacto do palhiço no canaviais foi um dos temas abordados no 5º Ciclo de Seminários Agrícolas, realizado no dia 15 de agosto, na Embrapa Agropecuária Oeste.  O Seminário é realizado pela Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul), Embrapa Agropecuária Oeste e TCH Gestão Agrícola.

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